quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Uma surpresa em quatro patas chilenas


Fernando Torres

Estávamos – minhã mãe, padrasto, Gabi e eu – caminhando pela calçada às margens da Baía da Última Esperança, em Puerto Natales, Chile. O relógio já marcava dez da noite, mas o novembro de primavera patagônica oferece dias longos, com luz das 5h às 23h.

Aproveitamos para admirar as montanhas nevadas no horizonte e a pescaria das aves na água gelada e agitada pelo vento forte. Assim que passamos por um canteiro da obras, onde está sendo construído um novo espaço de convivência para turistas e moradores, fomos seguidos por um cachorro.

Nós não assoviamos ou fizemos qualquer gesto de proximidade, mas o companheiro amarelo e peludo nos seguiu e se aproximou. Quando parávamos, ele ficava encostado em nossa pernas, doando ternura em troca de atenção.


Fizemos carinho e percebemos que o sentimento de afeto era recíproco. Bastou estender a mão para uma grata surpresa. Ele devolveu o gesto. Caminhou conosco por mais alguns metros, posou para fotos e nos brindou com outros sinceros apertos de mão. Até que outras pessoas passaram e nosso cão partiu para ganhar novos amigos.

Inesquecível!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vende-se a Libertadores! E não é uma metáfora!!!

Fernando Torres

Quanto vale o título mais desejado da história de um clube? A Copa Libertadores da América conquistada pelo Corinthians, em 2012, está à venda. Quem comprar não será considerado um campeão continental, mas poderá colocar no peito o símbolo da vitória histórica do Timão. Três medalhas ditas autênticas estão sendo oferecidas no Mercado Livre, tradicional site de negociações de objetos novos e usados. Segundo os vendedores, uma foi entregue a um jogador corintiano e as outras duas a membros da comissão técnica. Os preços? Bagatelas... R$ 8 mil, R$ 15 mil e R$ 60 mil.


No anúncio da medalha que custa R$ 8 mil, um torcedor questiona a origem da peça: “Qual jogador recebeu essa medalha???”. O vendedor rebate: “Identidade mantida em sigilo, por motivos pessoais”. Pensando bem, você revelaria o seu nome, se fosse atleta do Todo Poderoso e colocasse a medalha “no prego”?


Já a segunda oferta tenta seduzir algum louco do bando logo na descrição do produto: “Medalha ORIGINAL que consagrou os Jogadores e Equipe Técnica do TIMÃO em 2012, abrindo o caminho para a vitória do MUNDIAL. Oriunda de um dos membros da Equipe Técnica, cuja identidade é mantida em sigilo por motivos pessoais”. Gostou? R$ 15 mil... Uma pessoa tenta pechinchar: “1500 avista, aceita?” O vendedor apela para o lado sentimental para justificar o preço: “Grato amigo, é mto pouco pelo que esta medalha representa. Foram cunhadas apenas 50 unidades”.

A negociação por essa medalha continua e, sem querer, as partes revelam um o nome do outro. Interessado, o torcedor pergunta: “André conheço um cara da Conmebol que chama-se Dário, posso levar ele para ver a originalidade da medalha?” Na sequência, André, o anunciante, explica: “Sim Muriel, sinta-se a vontade em fazê-lo”.


Se foi difícil para o Corinthians faturar a Liberta de forma invicta, pode ser ainda mais para um apaixonado pelo time de Parque São Jorge levar pra casa as faces douradas da glória. De um lado, o troféu em alto relevo e a inscrição “Copa Santander Libertadores de América - Al Campeón 2012”. Do outro, o escudo da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Qual a maior barreira: superar adversários com Vasco, Santos e Boca Juniors ou arrematar a lembrancinha por R$ 60 mil? É tão alto que chega a confundir: “Oi amigo não seria 6.000,00?”, questiona um surpreso. “Bom dia amigo, não o valor esta correto , pois a medalha é de um jogador e não da comissão técnica”.


Acredite se quiser, pague se puder...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Melhores Shoppings de Miami, Fort Lauderdale e Orlando

Estava eu na fila para entrar na Embaixada dos Estados Unidos, no Centro do Rio de Janeiro. Pouco antes da entrevista para o visto, vem um jovem e me entrega este cartão de visitas...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Uma História que Roma ignora


Fernando Torres (Jornalista)

Viver a Cidade Eterna é um privilégio difícil de descrever. Durante uma semana, entre o fim de 2012 e início de 2013, estive em Roma – e, rapidamente, na cidade de Florença – para experiências incríveis. Do Coliseu ao Vaticano, com direito à Missa de Ano Novo celebrada pelo papa Bento XVI na Basílica de São Pedro, a capital italiana reserva um clima romântico, intimista e, por mais contraditório que possa parecer, cosmopolita.


Roma é preparada. Não encontrei ninguém que não falasse, no mínimo, inglês. Guias, turísticos e de turismo, mapas e souvenirs temperam ainda mais as visitas. Mas, no meio de tantos motivos para elogios, espaço para o ruim. Uma região repleta de História, clima único e cheia de atrativos é ignorada pelo turismo romano. Não há guichê, centro de atendimento ou gladiador fantasiado que o leve ao Foro Italiano.



Complexo arquitetônico construído entre 1928 e 1938, o local foi inaugurado como Foro Mussolini. Inspirado na parte mais antiga da cidade, erguida na época do Império Romano, esse conjunto de prédios e equipamentos esportivos é o maior símbolo fascista de Roma. Foi projetado por Enrico Del Debbio e Luigi Moretti para ser um parque de ode ao Fascismo, representado por seu mentor Benito Mussolini.



O Foro Italiano fica a 6 km da Praça São Pedro, no Vaticano. Uma hora de caminhada às margens do Rio Tevere (ou Tibre) leva a esse local carregado de energias: a pesada do sistema ditatorial representado e a gloriosa das conquistas olímpicas também ali protagonizadas. Na Ponte Duca D’Aosta, motivos militares decoram os pilares, que logo perdem espaço para um verdadeiro obelisco em homenagem a Mussolini. Teu nome está grifado, de cima para baixo, no enorme pilar. A partir deste ponto, são 200 metros de calçadas ilustradas por mosaicos que associam a vitória esportiva à força militar fascista, que foi uma espécie de nazismo italiano e, assim como a ideia de Hitler, sucumbiu na Segunda Guerra Mundial.



Mas a frieza não é a única a ter presença garantida. O Foro Mussolini foi o principal centro de eventos das Olimpíadas de 1960 e essa História também está marcada. Faz lembrar o etíope Abebe Bikila, campeão da maratona correndo descalço e primeiro atleta africano a conquistar uma medalha de ouro. Remete a Cassius Clay, pugilista norte-americano que, naqueles jogos, subiu no lugar mais alto do pódio na categoria meio-pesado. Quatro anos mais tarde, converteu-se ao islamismo e passou a ser Muhammad Ali.



A paz semeada por esses homens está eternizada na aura dos cinco anéis prateados, fixados nos prédios sóbrios, cor de barro. A maioria é usada por setores administrativos do Comitê Olímpico Italiano. Outros foram ocupados pela RAI, principal emissora de televisão do país, estabelecida no local para facilitar as transmissões a partir do Estádio Olímpico, monumento mais suntuoso do Foro e casa dos principais times da cidade: Roma e Lazio. Em um dos muros, aliás, encontrei a pichação da Ultras Lazio, torcida organizada neonazista conhecida por gestos racistas, como imitar macacos para agredir jogadores negros ou com origem africana. Nos arredores, ao sul do estádio, fica a quadra de tênis onde são disputadas as principais competições do país e o Aberto de Roma.



Pode não estar na capa dos guias nem nos cartazes das agências de turismo, mas o Foro Mussolini (Italiano) merece a visita!


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Altitude: de Cuzco a Huaraz, a lição da natureza peruana

Fernando Torres (Jornalista)

Separadas por dois anos, minhas experiências com altitude no Peru foram distintas. Dos efeitos devastadores do soroche ao trekking mais difícil desses meus 28 anos, a natureza e os peruanos me deram uma série de lições.


Em janeiro de 2010, a missão Peru chegou a Cuzco após 23 horas de ônibus – Cruz del Sur, excelente empresa – desde a Lima, que fica a nível do mar. Chegando à antiga capital do Império Inca, localizada a 3.400 metros de altitude, fui recepcionado com um bule cheio de chá de coca. Tomei duas xícaras e acreditei que já estivesse pronto para tudo. No mesmo dia, fiz caminhadas pela cidade e comi muito – a mesma quantidade do cotidiano, no Rio de Janeiro – para aproveitar a incrível culinária cuzqueña.


Teve de tudo nas refeições. No jantar anterior à viagem de trem até Águas Calientes (último povoado antes de Machu Picchu), ainda ousei, experimentando uma panqueca deliciosa de doce de leite. Veio o dia seguinte e o corpo cobrou a conta. Diarreia fulminante, que só foi minimizada por muitas doses de Electroral, soro pediátrico comprado nas farmácias de Cuzco. Foram duas noites infernais, com direito à febre de 40 graus, na madrugada de Águas Calientes. Depois de litros de Electroral, Gatorade e um pedido especial aos deuses Inca, fui “abençoado” com uma melhora que permitiu curtir ao máximo na cidade de Machu Picchu.



O detalhe importante é que ignorei as informações dos guias turísticos e as conversas que tive com os peruanos, ainda em Lima, sobre as estratégias para escapar do soroche (mal da altitude). Uma vez acima dos 2.000 metros, há duas dicas fundamentais. Um: use o primeiro dia para descansar e dar ao corpo a chance de se adaptar ao ar rarefeito, que tem o nível de oxigênio reduzido. Dois: coma um terço do que está acostumado, pois o metabolismo também é prejudicado pela altitude. Assim, se o indivíduo fica empanturrado, como eu fiquei, o organismo não dá conta. Aí, três litros de Electroral serão só o começo.



Com esse aprendizado na mente, voltei ao Peru, em maio de 2012, para explorar Huaraz, cidade ao Norte de Lima que pode ser considerada o principal point do trekking e montanhismo no país. Está no alto dos 3.000 metros e é “só a base” para as atrações mais altas do entorno. Escaldado depois da diarreia de 2010, investi o primeiro dia no repouso. Após 8h de viagem desde Lima, mais uma vez com a Cruz del Sur, andei um pouco pelas ruas inclinadas, contratei o transporte para as aventuras dos dois próximos dias e fiquei no albergue La Cabaña descansando, respirando fundo e pedindo desculpas antecipadas às minha pernas. Almocei uma truta grelhada com legumes e, à noite, tomei um Gatorade. E só. Por mais que as sobremesas foram tentadoras...



Manhã iniciada e parti ao Nevado Pastoruri, um glaciar que está desaparecendo (soma de mudança climática com lixo produzido pelos visitantes desrespeitosos) e prestes a deixar órfã a Cordillera Blanca, uma cadeia de montanhas decoradas por gelo + neve. Até os 4.500 metros de altitude, cheguei na van. Os outros 500 metros acima do nível do mar teriam que ser completados com 1,5 km de caminhada. Masquei cinco folhas de coca e iniciei a subida. A cada 10 minutos, uma parada para 15 inspiradas profundas, lembrando aos pulmões que ainda existia oxigênio no ambiente. Um gole na água ou no Gatorade e, com outras quatro escalas semelhantes, a meta foi alcançada. Na volta, almoço com uma sopa de truta. Energética, leve e gostosa.



Noite de sono agradável e, às 6h do outro dia, levantei com o Lago 69 na cabeça. A previsão era de 18 km de trekking (9 km cada perna) acima dos 4.200 metros de altitude. Antes de chegar ao ponto de partida da caminhada, passei de van pelo Llanganuco, lindo lago aos pés do Huascarán, maior pico do Peru, com 6.768 metros.



Pés, literalmente, na estrada e o sonho 69 foi iniciado. Reforçado pelo café da manhã (dois pães e uma xícara de chá de coca), rumei à primeira parte do trekking, com uma hora e meia de caminhada pelos campos. A montanha surgiu e, no mesmo pacote, subidas íngremes por uma trilha de pedra e cascalho solto. Passadas duas horas, a já íntima altitude colocou as mangas de fora. O ar entrava queimando as narinas num ciclo crescente. A força das pernas não rendia como 2 km atrás.



O perrengue de Cuzco veio à mente e lembrei que o respeito aos limites e à supremacia da natureza deveria ser a prioridade. Não desisti, mas optei por pausas fundamentais para superar a fase do montanhismo e o efeito do falso pico: você aposta que vai achar o que procura no alto do monte que está subindo, mas quando chega no fim deste, vê que era apenas uma parte do desafio e muito ainda está por vir.




Quatro horas e meia e 9 km depois, o Lago 69 brindou meus olhos com uma paisagem, no mínimo, impressionante. Os azuis da água, mais fortes e imponentes do que o azul do céu, emolduram a montanha e os glaciares, que alimentam o próprio lago através de cachoeiras filhas do derretimento normal e cíclico dos blocos de gelo eterno. O retorno me consumiu duas horas e meia e toda a energia que restava nas pernas. Satisfeito com meu desempenho, exausto e torrado pelos raios solares amplificados, aprendi na marra que respeitar a altitude e seus efeitos é a melhor opção para o corpo. E a mente.



Publicado, originalmente, no Blog Sem Destino.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Oração do Árbitro de Futebol

Curiosidade encontrada no vestiário do Estádio do Fortaleza, na cidade de mesmo nome, no Ceará:

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Rock in Rio 4 - Eu fui e me fudi

É incrível como o Rock in Rio apresenta, num microcosmo, elementos do cotidiano carioca. No primeiro sábado (24/09), fui ao festival. Levei 90 minutos para chegar de ônibus. Na chegada, 15 ambulantes cercaram a porta do busão, querendo vender camisas, capas de chuva, alma... Lá dentro, fila até pra pensar. Uma hora depois de entrar fui assaltado por uma quadrilha que entrou preparada pra isso. Dois caras vieram e, fingindo embriaguez, se jogaram em cima de mim. Com a câmera travada na calça, fui jogado pra frente. Neste momento, um terceiro arrancou o equipamento e correu. Sem ação contra três FDP, tentei reaver, mas já era... Segurança? Só se for na área VIP.

Os shows começaram e os empurrões eram cortesia da casa. Apresentações muito legais. Destaque para o porradão do Stone Sour e a performance, inacreditavelmente, foda e perfeita do Red Hot Chili Peppers. Entre tentativas de socos, desidratação e fadiga muscular, tivemos a sorte de, às vezes, compartilharmos as músicas com algumas pessoas educadas ao redor. Rock in Rio: roubado, esculachado, mau tratado, empurrado, socado e ignorado. Dois detalhes apavorantes: paguei caro pra isso e vou de novo no dia 1º.

Ah, essa imagem aí, por enquanto, é a minha lembrança fotográfica do Rock in Rio...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Pelé x Peñarol: gols viraram até medalha

Os gols marcados por Pelé foram transformados em medalhas da solidariedade. Logicamente, estão incluídos os tentos contra o Peñarol, na final da Copa Libertadores da América de 1962, conquistada pelo Santos:



As medalhas estão à venda por mais de R$ 5 mil, no Mercado Livre:

Medalha do Gol 493: R$ R$ 5.350,00

Medalha do Gol 494: R$ 5.250,00

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Dia do Abate

João Buracão, o boneco: das ruas do Rio de Janeiro para a história do jornalismo popular



Fenômeno de jornalismo popular, o personagem João Buracão foi criado a partir do boneco feito pelo borracheiro Irandi Pereira da Rocha. Em uma das rondas pela Zona Norte do Rio de Janeiro, o motorista Carlos Costa e eu encontramos o figuraça, "pescando" no meio de uma cratera, na Rua Piraí, em Marechal Hermes. Dei a ele o nome de João Buracão e fiz a reportagem. O buraco foi consertado, assim que o jornal começou a ser vendido nas bancas, por volta das 7h. Começou, assim, a saga do boneco cidadão...

TV GLOBO - MAIS VOCÊ (assista no vídeo acima)


TV GLOBO - FANTÁSTICO (clique nos títulos para ver mais)




TV GLOBO - NOVELA CAMINHOS DA ÍNDIAS


GLOBO NEWS - CIDADES E SOLUÇÕES


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Caco Barcellos: 25 pílulas de sabedoria


O jornalista Caco Barcellos falou aos profissionais da empresa Infoglobo – jornais O Globo, Extra, Expresso e seus respectivos sites, na tarde desta segunda-feira. A palestra ocorreu no auditório, Rua Irineu Marinho, Cidade Nova, Rio de Janeiro.

Em 25 tweets de @amanhanoglobo, o melhor do bate-papo comandado pelo apresentador do programa Profissão Repórter:

1) "Tive essa ideia por uma necessidade e uma crítica que fazia ao meu trabalho", diz Caco Barcellos, sobre cobertura jornalística em dupla.

2) "O jornalismo investigativo não combina com o instantâneo, nem com polêmica", afirma Caco Barcellos.

3) Surgimento do Profissão Repórter: “A ideia era trabalhar com olhares cruzados. Ângulos diferentes sobre uma mesma história. Somos no mínimo nove buscando informações.”

4) "Embora a gente não seja um programa investigativo, consideramos fundamental apresentar provas acerca de qualquer informação.”

5) "A gente sempre faz uma pergunta básica aos entrevistados: por favor, ao invés de nos contar sua história, mostre-a.”

6) "Se há uma superlotação, tem que mostrar a superlotação", afirma Caco Barcellos, sobre matéria que aborda os problemas de saúde pública.

7) “Às vezes, precisamos ficar debaixo de uma ponte, esperando o trem passar. Só que pode não acontecer nada naquele dia específico.”

8) "Trabalhamos com três ou quatro duplas, e cada uma sugere como quer que seja feita a edição", explica Caco, sobre o Profissão Repórter.

9) "Quando você está fortemente envolvido na história, você luta até o fim para que ela contada da melhor forma possível".

10) “Há quem pense que o envolvimento com a pauta pode prejudicar a objetividade, mas eu tento me envolver ao máximo nas histórias que conto.”

11) "Eu era taxista e estagiário. O ponto era perto do jornal, e tinha medo de descobrirem. Achava uma profissão de intelectuais", conta Caco.

12) "Quando descobriram, me pediram só que contasse a história dos taxistas. Ninguém ia saber fazer tão bem quanto eu", diz Caco Barcellos.

13) "Foi a primeira reportagem assinada que publiquei, porque eles gostaram muito.”

14) “Percebi que eu soube contar bem a história justamente por estar envolvido nela. É assim que funciona até hoje, pelo menos pra mim.”

15) "Se a gente viu que a remoção foi feita de maneira correta, não podemos focar na choradeira", diz Caco, sobre matéria com ocupantes de prédio.

16) "Temos que ter consciência da nossa responsabilidade. Não podemos cair no sensacionalismo", frisa Caco Barcellos.

17) "A gente tenta tirar o máximo proveito das novas tecnologias para reforçar as nossas matérias", explica Caco Barcellos.

18) "A microcâmera colocada na roda da moto, por exemplo, dava a dimensão da estreiteza do corretor que as motos percorrem", diz o jornalista.

19) “É a maravilha que trouxe a revolução digital para quem trabalha com busca de prova. A participação do colaborador também é importante.”

20) “A nova geração acha informações em poucos segundos na web e é muito bem informada. Como informação é nosso produto, eles saem na frente.”

21) "Eu nem diria que é um aspecto negativo, mas quem ainda não tem trabalho para mostrar, também não tem experiência", diz Caco Barcellos.

22) "Quando a gente pede para acompanhar a história, aumenta a nossa chance de contar mais verdades", explica Caco Barcellos.

23) "A gente vai correr atrás para contar primeiro, ou vai correr atrás para contar melhor?", questiona Caco.

24) "Do modo como vejo jornalismo, nós teremos que explicar cada vez mais história. O computador não faz isso, não adianta", diz o jornalista.

25) "As pessoas se expõem a riscos e morrem em coberturas de guerra, mas nem por isso deixamos de fazê-las", analisa Caco Barcellos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vencedores do Prêmio Embratel Imprensa 2010

Confira a relação completa das reportagens vencedoras, no Prêmio Embratel Imprensa 2010:

Prêmio Barbosa Lima Sobrinho
Jornal O Estado de São Paulo
Caso Sarney: Senado usou 300 atos secretos para beneficiar amigos – Rosa Costa, Leandro Colon e Rodrigo Rangel

Jornal e Revista
O Estado de São Paulo
Prova do Enem vaza e Ministério anuncia cancelamento do exame – Renata Cafardo e Sérgio Pompeu

Televisão
Globo News
Os Generais falam – Geneton Moraes Neto

Jornalismo Investigativo
Gazeta do Povo e Tv RPC (Curitiba)
Diários Secretos: Assembleia encobre metade de seus atos em diários suspeitos – James Alberti, Kátia Brembatti, Karlos Kohlbach e Gabriel Tabatcheik

Reportagem Econômica
Revista Época Negócios
A classe média que você precisa conhecer: Um mergulho na nova classe média – Marcos Todeschini e Alexa Salomão

Responsabilidade Socioambiental
Tv Globo
À sombra das mangueiras do vale – Helen Martins

Reportagem Esportiva
Rádio Joven Pan
Histórias das Copas – Thiago Uberreich

Reportagem Fotográfica
Jornal O Globo
Luto no Afroreggae: Menino chora ao tocar na homenagem a Evandro – Marcos Tristão

Reportagem Cinematográfica
SBT Rio
Traficantes derrubam helicóptero da polícia – Júnior Alves e Alex Oliveira

Rádio
Rádio Senado
Quando a sombra cai: A história da tortura no Brasil – Sérgio Vieira

Jornalismo Cultural
Jornal O Povo
Inquisição: No rastro dos amaldiçoados – Cláudio Ribeiro, Luiz Henrique Campos, Ana Mary Cavalcante e Demitri Túlio

Tecnologia da Informação, Comunicação e Multimídia – Veículo Especializado
Revista Info-Exame
É a hora do 3D – Renata Leal, Luiz Cruz, Fernanda Ezabella, Juliano Barreto e Eric Costa

Tecnologia da Informação, Comunicação e Multimídia – Veículo Não-Especializado
Revista Época
O poder e os riscos das redes sociais – Alexandre Mansur, Camila Guimarães, Bruno Ferrari, Fabiana Montes, Daniella Cornachione e Paulo Nogueira

Regional Centro-Oeste
Jornal Correio Braziliense
Onde estão eles: Desaparecidos de Luziânia – Ary Filgueira, Naira Trindade, Daniel Brito, Adriana Bernardes, Renato Alves, Ariadne Sakkis, Fiego Amorim, Luiz Calcagno e Marcelo Abreu

Regional Nordeste
Jornal Diário do Nordeste
Mãos que fazem história: A vida e a obra das artesãs cearenses – Germana Cabral e Cristina Pioner

Regional Norte
Tv Record Belém
Serra Pelada: A vingança do ouro – Nyelsen Martins

Regional Sudeste
Jornal Extra

Regional Sul
Jornal Zero Hora
Os infiltrados: Os espiões que viveram nas sombras dos anos de chumbo – Carlos Wagner, Carlos Etchichury, Humberto Trezzi e Nilson Mariano

sábado, 26 de junho de 2010

Redação Jornalística IV (Terceira Avaliação)

Alô, galera da Estácio Madureira!!! Estes são os tópicos de estudo direcionado para a AV-3...

"Jornalistas acreditam que blogs podem pautar a imprensa" e "Ex-blogueiros contam por que deixaram suas paginas", de Izabela Vasconcelos, do site Comunique-se. Questões levantadas e ensinamentos quanto à realidade do jornalismo na internet: 1) Investimento nos maiores atrativos para o internauta, elementos adaptáveis a qualquer tipo de site, independentemente, do público-alvo; 2) Vantagens em receber citações na grande imprensa; 3) Desafio na conquista e manutenção da credibilidade, no meio virtual.

Evolução do texto jornalístico: Nariz de Cera (início do século XX), Lead / Lide (década de 1960), Novo Jornalismo (década de 1960), Taça de Champagne (2005) e Lead Criativo (2008). Formatação do texto no produto final: principal + coordenadas / retrancas, do meio impresso, se transformaram em abertura + links, no jornalismo da web.

Link abre espaço para a notícia infinita: como surgiu e se desenvolveu o hipertexto. Os sete tipos de link: independente interno, independente externo, direto interno, direto externo, imperativo interno, imperativo externo, glossário.

Processo de produção de texto jornalístico: pensar, apurar, redigir, editar, pentear, disponibilizar. Três elementos fundamentais da "penteada": ritmo (pontuação), eliminação do "que", verbos de elocução. Atividade na sala com dez questões e lista de 40 verbos aplicáveis no cotidiano textual.

Transformação de um nariz de cera em lead. Exercício orientado com a letra da canção "Faroeste Caboclo", do grupo Legião Urbana. Os alunos utilizam as informações da poesia musicada para a composição de um texto jornalístico de 20 linhas.

Cobertura em tempo real. Particularidades dos seis tipos: Pré-marcada, Factual, Ponto-a-ponto, Torpedo, RSS / Feed, Twiter.

"Chega o tempo da economia de nichos". Com informações do texto, ocorre o aprendizado do nicho jornalístico. Universo de Temas / Segmentação / Super-segmentação / Nicho. Características: concorrência menor; menos e mais fieis receptores; maior possibilidade de furo; aparente relaxamento; poucos concorrentes diretos, mas milhares de indiretos (twitter, youtube, orkut); precisa de mais eficiência, na comparação com o conteúdo da assessoria.

Gadgets: os dez mais importantes para o jornalista da web.

Crossmedia: cruzamento das mídias. Conceito, evolução histórica e aula através do Twitter.

Analista de comunidades, um novo jornalista: 1) gerir redes sociais do veículo jornalístico; 2) relatar "clima" em relação à audiência, comentários e repercussão; 3) procurar pautas em outras comunidades, sobre assuntos interessantes ao público-alvo.

Aperfeiçoamento do texto jornalístico. Exercício prático e orientado de eliminação do termo "que" da reportagem. Caso estudado: "Eu tenho orgulho de Brasília!", escrito por Cláudio Magnavita, no Jornal de Turismo, em 9 de dezembro de 2009. Texto tem 52 "ques" e alunos precisam editá-lo, eliminando todos.

Jornalismo móvel, por Eduardo Natário. Resumo: O jornalista de hoje precisa conhecer as mídias sociais e a navegação web no meio digital para ter o seu lugar garantido. Por enquanto, as mudanças na forma de fazer jornalismo foram apenas técnicas. O paradigma de adaptação automática de `web desktop¿ para `web mobile¿ já existe, com adequação automática do layout do site às telas de menor tamanho dos celulares, mas seu uso ainda é restrito e não é padrão dos grandes portais online nacionais.

Técnicas de investigação via web: whois, registro.br, sistema upo, filetype no Google.

Como escrever para atingir melhor posicionamento em mecanismos de busca?

Web colaborativa. Participação dos internautas. Velocidade de moderação. Estudo de caso a partir do site Minha Notícia, o portal IG. Alunos produzem notícia, postam e aguardam liberação dos moderadores. Após 21 horas, este serviço é lento, "vendendo um peixe" inexistente e abrindo espaço para comentários negativos sobre o site nas redes sociais.

domingo, 13 de junho de 2010

Fifa Fun Fest Rio: ótima pedida para a Copa do Mundo na Cidade Maravilhosa

Fotos: Fernando Torres e Gabriela de Freitas

A Copa do Mundo começou e, com ela, foi dado também o pontapé inicial no Fifa Fun Fest. Para fortalecer sua marca e levar um pouco do espírito da competição mais importante do futebol a diversas partes do planeta, em 2010,a Fifa trouxe o evento pela primeira vez no Rio de Janeiro. Também recebem a arena Roma, Paris, Berlim, Sydney e Cidade do México, além de nove cidades da África do Sul. Um amigo, minha esposa e eu moramos na Cidade Maravilhosa e estivemos em Copacabana para curtir o Fifa Fun Fest durante dois dias: 12 e 13 de junho. Como sou amante do futebol e uma boa diversão, decidi compartilhar a experiência.

No sábado, Dia dos Namorados, assistimos ao jogo Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos. A melhor forma de chegar é, sem discussão, o metrô. Nada de trânsito e direto ao ponto. Basta desembarcar na estação Cardeal Arcoverde e andar 50 metros até a Rua Duvivier. Vá em direção à praia e, menos de cinco minutos depois, estará na entrada do parque, montado ali na areia mesmo. O complexo tem um telão de 120 metros quadrados, cineminha da Sony com vídeos em 3D, camarotes, arquibancadas, lanchonetes e loja com produtos oficiais da Fifa.


Logo na chegada, enfrentei o primeiro e único ponto negativo nos dois dias de Fun Fest. Há um limite de público de 20 mil. Não havia sequer metade disso lá dentro, mas levamos mais de 30 minutos para entrar. Ficamos agarrados no bloqueio da organização porque as pulseiras dos visitantes acabaram. Quando vi o telão, a Inglaterra já tinha feito 1 a 0. Despreparo da galera, mas dei um desconto por ser o início do evento, que vai até a finalíssima da Copa, em 11 de julho. São três barreiras antes do acesso definitivo. No primeiro, uma equipe de apoio indica os corredores cercados por cavaletes de ferro. Depois, todo mundo passa pela revista, inclusive as mulheres. É proibido levar comida, bebida, objeto perfurante, fuzil, canhão... Câmeras portáteis são permitidas. No último ponto, você recebe a pulseira e passa em um leitor de código de barras, ligado ao contador de público.

Alimentos não podem ser levados porque há lanchonetes e chopperia. A cerveja é Brahma e custa R$ 4. A comida é boa e muito mais cara do que nas padarias dos arredores. O mais indicado é fazer uma boquinha no lado de fora, mas, se você prefere comer dentro dos 31 mil m² do Fifa Fun Fest, lá vai: sanduíche (R$ 8), pedaço de pizza (R$ 6) calabreza, pepperoni ou mussarela Domino's ; massa Spoleto (R$ 12); cachorro-quente Geneal (R$ 8); copo de mate Leão, Coca-Cola ou Guaraná Antarctica (R$ 4).

O Fun Fest tem entrada gratuita, mas, se pretende ficar mais de uma horas, reserve R$ 20 por pessoa para comer bem. Outra parada obrigatória é a loja da Fifa. É oportunidade única para colecionadores e fanáticos, pois a venda de produtos na web é fraquíssima. Na tenda de Copacabana, as camisas custam R$ 70 e são vagabundas. Corra dessa!!! As lembranças menores são legais. Pin, imã, cordão de crachá, caneta ou pacote de cards da Copa do Mundo: R$ 10. Todas as 64 partidas da Copa são transmitidas. O parque fica aberto das 7 às 21h. Tem show todo dia (programação oficial). No Sábado dos Namorados, quem tocou foi Cidade Negra, pós-Tony Garrido. Bom demais. E terminou a primeira parte da diversão.


Domingo, 13, já prevenidos quanto à falta de pulseiras, chegamos mais cedo para assisir à Alemanha x Austrália, às 15h30m. Sem problemas. Acesso tranquilo. Aproveitamos o tempo de sobra para entrar no cinema 3D da Sony, uma das patrocinadoras, ao lado de Coca-Cola, Hyundai e Emirates. Óculos no rosto e propaganda sem parar. É legalzinho, mas não encare os 30 minutos de fila esperando um espetáculo sem igual. São vídeos promocionais da Sony sobre futebol, natureza, África e Kaká. Para curtir, é preciso encarar duas filas: uma para pegar a senha e outra para entrar na casinha em forma de meia-lua. É de graça.

No telão principal, onde são transmitidos os jogos da Copa, você assiste com a narração das equipes da Rede Globo, emissora oficial do Fifa Fun Fest. A parada é com Galvão Bueno, Cléber Machado, Luiz Roberto. O som e a imagem são sensacionais. Para melhorar sua permanência, leve canga para sentar e, acredite, agasalhos!!! O Rio é a Cidade do Verão, mas estamos no Inverno e o vento litorâneo entra na espinha sem dó. Melhor ainda: vá de sapato fechado, que não entra areia, ou de sandálias com meias. Fique à vontade. O clima é esse. O domingo teve Alemanha 4 x 0 Austrália e apresentação da banda Pimenta do Reino, com forró tradicional ajudando a driblar a brisa do mar.

Os jogos da Seleção Brasileira merecem atenção especial. É lotação garantida. Então, o público terá um telão extra de 50m², virado para o lado de fora da arena. Os apresentadores do evento são profissionais das Organizações Globo, do ator Otaviano Costa ao DJ Tino Júnior, da Rádio Beat FM. Na plateia, mais de 70% são estrangeiros. Mistura de visuais, culturas, idiomas. Um barato!!! Com o Fifa Fun Fest, mesmo se o Brasil não for Hexa, você terá boas recordações da Copa do Mundo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Chuva no Rio: relato de uma noite no caos

Foto: Gabriela de Freitas

Os ônibus sumiram, os trens pararam, os carros boiaram e as pessoas se tornaram peças de um tabuleiro inundado. O cenário lembrou o filme Guerra dos Mundos: assaltos, veículos no sentido contrário, na calçada. Motoristas subiram nos tetos, aliviados por estarem vivos e desiludidos pelo carro, que virou lixo. Vivi sete horas que estarão para sempre na memória.

Saí da redação do Extra, na Rua Irineu Marinho, às 20h30m desta segunda-feira. Os alagamentos já haviam começado, mas precisava chegar a Madureira, para uma aula em uma universidade particular, na Estrada do Portela. Da porta do prédio do jornal até a Central do Brasil – afinal, o trem era a única coisa que podia se movimentar àquela altura – passaram-se 50 minutos. Na plataforma, centenas de pessoas aguardavam, atônitas, pois o ramal Saracuruna estava inundado, na altura da Favela do Jacarezinho.

Entrei em um dos vagões lotados da composição destinada a Japeri. Desci na estação Madureira e corri para o shopping, onde funciona a universidade. Poucos alunos estavam presentes e a ordem era liberá-los o quanto antes para possibilitar o seu retorno. Que retorno? No ponto, ficamos três mulheres e eu, das 23h até 0h30m, aguardando o 254 (Madureira-Praça XV) que nunca chegaria. Um ônibus até encostou, mas impediu a entrada dos passageiros: "Vamos recolher pra garagem", disse o motorista.

Desistimos do 254 e andamos, debaixo do temporal que voltara com muita força, até a Rua Carolina Machado, esperando um milagroso 638 (Marechal Hermes - Praça Sans Peña) que nos levaria até a Tijuca. Tijuca... a essa hora estava coberta pelo Rio Maracanã, que ignorou as margens e tomou as pistas. Nada de ônibus. Foram recolhidos. E a população, abandonada. A placa da kombi indicava Jacarezinho, mas o cobrador logo gritou: "Só até o Norte Shoppping, hein."

Assim, meu celular avisou que 1h já era passado e eu ainda estava na Avenida Dom Helder Câmara. Dali pra frente, duas opções: vans em direção ao Jacarezinho – Esquina do Medo, tô fora – ou táxi. Fiz sinal para mais de dez. Um parou e perguntou: "Pra onde?" Respondi: "Tijuca" Ele replicou: "Se me falar como eu chego lá sem boiar, te levo por R$ 70." Não sabia nem tinha esse dinheiro. Às 2h, o taxista Alberto estacionou, quase no canteiro que divide as duas pistas, e topou o desafio de me levar até a Rua São Francisco Xavier, entre a Tijuca e o Maracanã.

Rompendo correntezas, chegamos até a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). As ondas fizeram o Meriva parar. A corrida saiu por R$ 20 e o agradecimento será eterno. Faltava cerca de meio quilômetro até a porta do meu prédio, também conhecidos como 500 metros estilo livre. Com água entre a cintura e o peito, nadei – ou pulei, sei lá – de um poste até um carro, na Rua Eurico Rabelo. O motorista estava em cima do Citroen C3 e abriu a porta para que eu pudesse agarrar. Cheguei. Passei pela porta do edifício às 3h. Abri a mochila, minha boia por uma noite, e peguei meu celular. Já era. Minha mulher só conseguiu registrar a água invadindo a nossa garagem.

Parece que a cidade iria se desmanchar: gente morta, desesperada, empurrada pelo lixo. Gente aproveitando a imobilidade da maioria para roubar, como no arrastão de pivetes na São Francisco Xavier, altura da Uerj. O Rio precisa de ajuda.